sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Posicionamento estratégico é tudo.

Esse final de semana, feriado de 7 de Setembro, coloquei minha buzanfa no banco do carro e enfrentamos congestionamentos insanos junto com a fubazada toda que desce pro litoral.
Não preciso nem dizer que a mudança atmosférica despressuriza meu naco de coordenação que resta, e no litoral sempre, sempre acontece alguma merda pra eu contar aqui.

Mas antes vou compartilhar de um momento (raro) de sobriedade que me lembrar daquele anúncio infeliz da Unimed que eu vi em vários blogs por aí. Dê uma olhada.
Como isso foi aprovado? Você deve estar se perguntando...
Não sei. Falta de malícia da pessoa que fez, desatenção do chefe, desinteresse do cliente... Marketing negativo desnecessário.

Agora, no Bar do Cafú na ilustre praia da Juréia, garanto que com o reposicionamento eficaz da churrasqueira da empresa, a clientela dobrou.
Isso que é marketing hein, Cafu? Ensina pra Unimed!

- Cafu, companheiro... Chega mais. Me vê um, um daqueles... é... SEIO ECOLÓGICO! Hihihi. É bom, é biodegradável mesmis? Posso usar e jogar fora? Hihihihi.
- PASSEIOS, PASSEIOS! Quantas vezes vou ter que repetir: PAS-SE-IOS!
- Isso, eu trouxe o dinheiro pra isso! Pá seios! Quero seios! SEIOOOSSS! Uhhhhh!

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Conversas paralelas

Apesar de ser uma pessoa comunicativa, eu me reservo o direito de ficar calada em algumas ocasiões: no ponto de ônibus, na recepção dos consultórios médicos, na fila do banco, e na academia.
E geralmente quando eu estou calada, eu escuto as melhores conversas paralelas.
Fazendo musculação eu percebi como a mulherada pode ser indiscreta, achando que baixando o tom de voz se tornam James Bond das fofocas secretas. Claro, que sempre tem aquelas que acham que estão fazendo musculação na lavanderia de casa, e não se importam de gritar pra culega que está no fundo da academia, alguma coisa como:
- Ô Lu, você testou aquela receita de frango com feijão Fradinho que eu te ensinei? ou um:
- Shirleeeyyy, vem cá que eu vou te contar a última que aquela vaca da minha sogra aprontou!

Essa semana, estava eu em um papo profundo e silencioso com a minha amiga Esteira, quando as duas culegas do lado, começaram a conversar com uma terceira, um pouco distante de nós, em um tom alto o suficiente pro carinha do Leg Press prestar atenção.
E se seguiu a conversa (no mínimo, surreal) que eu achei digna de reprodução:

- Ô Ana, você viu quem comeu veneno?
- Comeu veneno? Como assim, quem?
- A Andréia da Padaria.
- Nossa, nem tô sabendo.
- Não sei como. O Supermercado inteiro sabe.
- Mas quando foi?
- Ah, faz umas 3 semanas.
- Andréia... Andréia... Quem é a Andréia mesmo?
- Aquela loira da padaria... Ela é meio
loca memo, tem umas idéias nadavê.
- Ah, sei quem é... Mas ela sabia que era veneno? Ela comeu por que quis?
- É, aquela mina é pirada das idéia... Hahaha...

(Percebi que aquilo não era só uma história, era uma fofoca com forte tom de maldade. Enfim, mulheres.)
... Os caras foram lá detetizar a padaria do supermercado, igual eles fazem toda semana, sabe?
- Sei.
- Então, eles passaram veneno em tudo, e depois deixaram aquela caixinha com veneno de rato, que tem uns buraquinhos do lado.
- Hã, e daí?
- Aí, parece que ela viu uma daquelas bolinhas no chão, catou e enfiou na boca! HAHAHAHA!
( A colega tentando se matar e ela rindo... eu ria junto, sozinha na minha conversa com Esteira)
- Nossa, mas porque ela fez isso?
- Porque ela é louca, aquele menina é uma besta, que só quer chamar a atenção! Sabia que ela casou né?
- Casou? Com quem?
- Ah, ela namorava fazia 3 anos já... com aquele namorado.
- Nossa, quer dizer que teve alguém que quis casar com ela.
- Teve, outro idiota. E parece que eles tinham brigado no fim de semana. Aí ela viu o veneno e comeu.
- Que doida!
- É, sabe o Willian repositor?
- Sei.
- Ele viu ela pegando o veneno do chão, bateu na mão dela e perguntou o que ela tava fazendo. Ela respondeu: - "Eu quero morrer!" - pegou o veneno do chão e enfiou na boca. Hahahaha!
- Não acredito!
- É, e depois que ela colocou na boca, o veneno começou a infurmigá a boca dela, ela ficou roxa, e começou a gritar: lava a minha língua, lava a minha língua! Hahahahaha. Mas aí não tinha jeito mais né... porque você sabe, quando a gente coloca uma coisa na língua, ela vai direto pro sangue.
( Pensei: melhor não morder a sua, meu bem).
- Então ela se arrependeu depois que comeu o veneno?
- Se arrependeu nada, ela quis chamar a atenção. Ela começou a tremer igual uma lumbriga no asfalto. Hahahaha! Tivéro que chamar tudo os gerente, carregar ela pro hospital. O médico disse que ela não morreu por um triz.
- Credo!
- E você não sabe a pior: Ela ficava falando pras meninas que foram com ela pro hospital: Liga pro meu marido, conta pra ele! Hahahaha! De raiva, ninguém ligou, o besta ficou sabendo só a noite quando chegou em casa. Hahahaha!
- Então ela fez isso só por causa da briga... que belo casamento, não?!
- Nem me fale... ela levou a maior carcada do médico, as enfermeiras picaram ela o dia inteiro, tomou uns 3 sacos de soro. E claro, levou carcada do gerente quando voltou.
- E ela pegou quantos dias?
- Nenhum. Foi trabalhar no outro dia. HAHAHAHA! O supermercado inteiro está tirando sarro dela.
- É, eu percebi que ela tava meio sem graça mesmo.
- Então, foi porque ela comeu veneno. E sabe uma coisa? Ela parecia mesmo um ratinho estrebuchando... HAHAHAHAHA.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Expulsos do Éden

Existe um livro grosso de letra miúda, que conta a história da criação do mundo.
O protagonista é um cara grande e ágil, que fala bonito e faz pessoas com barro. Essas pessoas melequentas por sua vez, são muito mal-agradecidas , desobedecem a ordem de não comer maçã e por isso são expulsas do paraíso.
E depois me dizem que era Walt Disney que se drogava pra produzir histórias.

Antes de continuar a linha de raciocínio, devo fazer uma consideração sobre cachorros: - Cachorros são frequentemente utilizados como ilustração de papel higiênico, o que no meu ponto de vista, é uma coisa muito estranha. Afinal, cachorros não usam papel higiênico, geralmente não se mantém branquinhos como o papel higiênico, e mais importante de tudo, nunca vi ninguém limpando a bunda com um pobre cão. Essa semana, comprei um pacote de papel higiênico em promoção que tinha cheiro de bebê. Pobres bebês, pobres cães. E o mais intrigante de tudo é que a cada 4 partezinhas picotadas de papel higiênico, tinha a figura de um simpático cãozinho com uma plaquinha na mão escrito PARE. Aí, você pára, picota o papel, dobra gentilmente, e usa. Com a imagem do cãozinho pra cima. Que cão merece esse destino cruel?

Esse final de semana, fui convidada pra ir pro Guarujá. Não havia expectativa alguma de sol, de calor ou de qualquer outro fator natural que propiciasse um passeio ao litoral. Mas, fui mesmo assim: a companhia era a melhor, e principalmente, minhas intensões com ele eram as piores.
hi
Chovia. Ah, como chovia. Se eu percebesse que o nível do mar estava subindo mais um pouquinho, eu estava pronta pra descer do carro e procurar o primeiro casal de elefantes pra subir na lomba e embarcar na Arca.
A questão é que, se o cara do grande livro com letras miúdas consegue fazer seresumanos de barro, ele consegue providenciar uma nesga de sol para mim. E no sábado, ao invés de descansar, ele disse: que se faça a luz. E a luz se fez.
No café da manhã da pousada:
- Ô Zé, você que conhece, como que faz pra chegar na prainha aqui perto?
- Na praia do Éden? Ah, é só descer essa rua aqui até o final.

Descemos. Descemos. Descemos. Ah, como descemos. Encontrei uma árvore na encosta do morro, com um prástico escrito: Praia do Éden, e uma singela flexinha indicando pra baixo. Hum, DESCER até o Éden? Os valores do mundo de hoje estão muito invertidos.
Tinha uma escada. Uma escada de pedra verde coberta pelo musgo produzido pela chuva. Todos sabem que se tem uma coisa que eu tenho medo nesse mundo é de pedra com musgo. Se tiver um assassino em cima de uma pedra com musgo, eu corro da pedra.
Demorei uns 20 minutos pra descer 30 degraus, mas entendi o porquê do nome.

Não tinha ninguém na praia de 50 metros, e o único birosque (kiosque de pouca relevância) estava fechado. Uma praia deserta, e nós dois. Desci pra sentir, pela primeira vez desde que havíamos chegado, o mar. Aquela água cristalina, beijando suavemente a areia e tocando meus pézinh... PUTA QUE PARIU QUE MERDA DE ÁGUA GELADA É ESSA? Tem certeza que essa coisa branca aqui é areia e não neve?
Foi expressando com graça e desenvoltura meus sentimentos sobre a temperatura da água que eu acordei dois cachorros. Sei lá de onde aqueles filhinhos de Anubis descançavam, mas já que tivemos que descer aquele monte de degraus, eu julgo que eles vieram das entranhas do inferno. O cachorro apareceu do meio do mato com sanguenosóio. Mostrando bunito o pianinho que ele tinha boca. Com a minha mira e coordenação, se eu tacasse um coco no filho do cão (olha, nunca caiu tão bem essa expressão) eu ia acertar uma parte vital do corpo dele, como a pata ou o rabo.
Catei todas as coisas que estavam no chão, enquanto via o namorado entrar na água com sua câmera fotográfica de 2 mil reais. - Não olha pra cara dele e vem! - Ele veio. Mas o guardião das portas do inferno veio junto, maldito. E pior que ele sabia subir escada.
A escada que eu havia demorado 20 minutos pra descer, eu subi em 2.
O homem expulso 2 vezes do Éden, e dessa vez nem deu tempo do Adão comer a maçã, pra infelicidade da Eva.

Agora, eu pergunto novamente pra vocês:

- E o mais intrigante de tudo é que a cada 4 partezinhas picotadas de papel higiênico, tinha a figura de um simpático cãozinho com uma plaquinha na mão escrito PARE. Aí, você pára, picota o papel, dobra gentilmente, e usa. Com a imagem do cãozinho pra cima. QUE CÃO MERECE ESSE DESTINO CRUEL?